quarta-feira, 1 de outubro de 2008

eLE

A noite, tinha passado, o corpo dela estava enroscado sobre si mesmo. Há muito que estava levantado, fumando junto da janela. Olhava para lá da rua, muito para além do que a vista alcançava, perscrutava o interior e nele tudo se encontrava turvo, nublado, à muito que não se sentia assim, imensamente vazio. Há largas horas, que vagueava pela casa, sem objectivo definido, sem conseguir sossegar. Em outras alturas, ligava a televisão, colocava-a sem som, sendo apenas envolvido na luz da mesma. Mas, hoje nem isso tirava a sua constante inquietação. Sentia-se impelido a avançar com o tempo, e acordar deste pesadelo de se ver acordado. Respirou, e puxou de outro cigarro. Até que ouviu o toque estridente das horas, e uma voz a resmungar, dirigiu-se ao quarto, e acariciando-lhe a barriga. Disse-lhe:


- está na hora, feIosa!

3 comentários:

ana sofia santos disse...

bonito. sobretudo o final

Anónimo disse...

O vazio alimenta pensamentos que nos perturbem...mas pensamentos esses que precisamos ter de quando em vez, para nos percebermos melhor...

As noites todas passam... pena serem em "branco"...

beijinho

Angelina disse...

Lindo texto. Gostei imenso!

Um beijo grande.