segunda-feira, 27 de outubro de 2008

...

- Nem tudo depende de ti.
- Não é tudo o que me preocupa.

- Então?

- É o quando, quando depender.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

...

- Onde me levas?
- Não sei.

- Então, deixa-me ser eu a levar-te?

- Não, deixemos antes que vontade nos pare.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

geSto

- Toma-me a mão!
Diz a surpresa ao surpreendido.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

letra _Y

O problema de ter nome?
É não me poderes chamar, por aquele em que me sentes.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

...

Remetes-me a interrogação na forma mais ambígua, semeando possíveis histórias por este trilho, que é o meu. Confundes o que sou, com o que esperas encontrar. Não assumindo o que és, escondes-te atrás da forma como te vês. Assumes como finito o que não é, transformando palavras em medidas e, tamanhos em certezas, esperando assim sossegar o que não é sossegado.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

MdeIDeia

Não é preciso conhecer o momento para o saber e, descreve-lo na perfeição.

- Tu sabes que por vezes temos saudades de futuros, os que ainda não vivemos. Mas, apesar disso, não os queremos viver por já termos presenciado o desastre que poderiam vir a ser.

No fundo, a certa altura não se trata de encontrar a pessoa certa, mas a altura em que a encontramos. E é ai! Que efectuamos as escolhas racionais.

- Não te vou dizer que transito numa rotina, os meus dias ainda conseguem superar esse cliché, oferecendo-me alento para amadurecer as ideias e sobretudo agir sobre a realidade imposta.

Dizes que tenho escolha?

- Sim, tenho, entre ficar parado a olhar ou agir.

Deve ser a única certeza concreta que tenho, que só agindo com o outro posso mudar esta realidade que não fez parte da minha escolha, mas que é a minha.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

E asSim

De um conceito, surge a ideia, da ideia uma certeza e da certeza o momento. Os olhos afundam-se no coração e cinco dedos acenam de uma pequena mão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

...

... E já se despedia, correndo para apanhar o comboio. À aquela hora, naquele local, para entrar naquela porta e não noutra, os mesmos de ontem, tirando alguns que perderam o anterior ou estão fora do seu horário. Encontrou rostos familiares e ao mesmo tempo, distantes de si. Arranjou espaço, viu-se forçado a isso, a partilhar a viagem entre corpos amontoados. O comboio vinha particularmente cheio. Por isso partilhou toda a viagem, com um braço de uma senhora no seu peito e umas costas de alguém a embaterem constantemente no seu lado esquerdo. Não colocou os phones para se encontrar em alguma música, não tinha espaço para ler o jornal de «5 folhas» gratuito, que se encontrava à entrada da estação, não fazia nada a não ser observar o que o rodeava.

Tinha herdado este prazer desde a altura da faculdade, quando percorria algumas das linhas do metro de Lisboa. Desde então nunca mais perdeu o vício, de utilizar os transportes para observar mais pormenorizadamente os rostos que se atravessavam na sua vida.

Hoje sentia-se a sufocar, porque sempre se sentiu mal em espaços fechados, mas o que mais o incomodava era mesmo o constante toque e calor humano que ia tendo. Estava a perder as forças, até que reparou numa mão, branca esguia, parecia suave, unhas de vermelho escuro, a quem pertenceriam? Não lhe interessava, preferiu imaginar o rosto, do que tentar descortinar entre as pessoas que ali se encontravam. Observava o movimento cadente da mesma, de uma forma embriagada, até a perder de vista e foi ai que tomou consciência, que estava a chegar.

Saiu... nem olhou para trás...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

eLE

A noite, tinha passado, o corpo dela estava enroscado sobre si mesmo. Há muito que estava levantado, fumando junto da janela. Olhava para lá da rua, muito para além do que a vista alcançava, perscrutava o interior e nele tudo se encontrava turvo, nublado, à muito que não se sentia assim, imensamente vazio. Há largas horas, que vagueava pela casa, sem objectivo definido, sem conseguir sossegar. Em outras alturas, ligava a televisão, colocava-a sem som, sendo apenas envolvido na luz da mesma. Mas, hoje nem isso tirava a sua constante inquietação. Sentia-se impelido a avançar com o tempo, e acordar deste pesadelo de se ver acordado. Respirou, e puxou de outro cigarro. Até que ouviu o toque estridente das horas, e uma voz a resmungar, dirigiu-se ao quarto, e acariciando-lhe a barriga. Disse-lhe:


- está na hora, feIosa!