quinta-feira, 31 de julho de 2008

Escuto

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco


Sophia de Mello Breyner Andresen

1 comentário:

MS disse...

... lindo e intensamente profundo, como Sophia sabe definir Ser que não se confina ao invólucro...

É com ternura que volto ao teu espaço, 'a'!

Um beijo afectuoso,

... sensibilizada pelo[s] teu[s] olhar[es] em 'fragmentos'!
E que belos contrapontos lá vais poisando...
:)