quinta-feira, 31 de julho de 2008

Escuto

Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra e fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco


Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Vermelhas...

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Shades of Poppies

Steve Thoms




No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 25 de julho de 2008

E de súbito

Acentuo a noite, num tom mais escuro,
Sossegando o gesto num sopro de orelha.
Face minha em lua cheia, movesse o lábio
Numa chama que incendeia
Na palma da mão, às duas e meia.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

“Caixinha de Surpresas”

A vida, a vida é? Como muitas pessoas gostam de dizer uma “caixinha de surpresas”, com bolinhas cor-de-rosa, pintada nas cores que cada um, na sua imaginação infantil, assume como sua. É o sentir, o viver respirando o amor, o afecto peito com peito, o perder e ficar surpreendido com a reconstrução que acontece sem sabermos como. Um amanhã perdido, num hoje nunca completo, porque o perfeito é um imperfeito presente na natureza de sermos apenas, eu e «tu»! Ela é, como queremos que seja, ou será como nos faz, vivenciando cada instante, (pausadas e apressadas passadas), ela é o esplendor de sol numa pincelada de azul, aguarela despida na ausência em nós.